Sob o signo da juventude: Pensar a educação e o ensino de filosofia a partir da figura do bárbaro

Wigvan Pereira

Resumo


A pergunta “o que se pode esperar da educação?”, se não é tão fácil respondê-la, é porque a própria noção de educação não é clara para todos e ainda nos é apresentada atrelada às noções de autonomia, cidadania e moral, o que faz parecer que educados são os “bons moços”, aqueles que não questionam e que aprenderam a língua falada nas sociedades civilizadas: a mudez, a cegueira e a surdez voluntárias – a indiferença! Neste trabalho pretendemos, a partir de um diálogo com Nietzsche, Adorno e Hannah Arendt, fazer a defesa de uma educação contra a domesticação dos bárbaros, que não pretenda adestrar os alunos e que, em vez disso, dê suporte para que eles falem seu próprio dialeto: o dialeto da novidade. Seguindo, então, o rastro dos autores que aqui elegemos como nossos interlocutores, faremos um deslocamento para defender uma educação na qual a questão da barbárie seja retomada, mas de uma perspectiva que permita reabilitar a figura esquecida do bárbaro, tomada no sentido de estrangeiro e pária. Com isso, o que pretendemos, ao final, é pensar as condições de possibilidade de superação da indiferença que caracteriza a nossa época, a partir daquilo que a Filosofia pode trazer de inédito aos discursos pedagógicos e, com isso, tratar, como questões filosóficas, o ensino da filosofia, as figuras do professor-aluno e suas relações.

Palavras-chave


filosofia da educação; ensino de filosofia; juventude; indiferença

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